Quem pode avaliar uma empresa em Portugal?

Imagem ilustrativa: Quem pode avaliar uma empresa em Portugal?

Em Portugal, uma empresa pode ser avaliada por consultores de Corporate Finance e M&A, especialistas em valuation e, dependendo da finalidade, contabilistas certificados, revisores oficiais de contas ou peritos. A escolha não deve depender apenas do título profissional: deve considerar o objetivo da avaliação, a experiência em PME, os métodos utilizados, a independência e a capacidade de interpretar o negócio.

Em resumo

  • Não existe um único profissional adequado para todas as avaliações de empresas.
  • Para preparar uma venda, pode ser especialmente relevante recorrer a especialistas em avaliação, Corporate Finance e M&A de PME.
  • O contabilista conhece as contas, mas o valor económico exige normalmente informação adicional sobre risco, mercado, crescimento e geração de caixa.
  • Algumas avaliações com finalidade legal, judicial, contabilística ou societária podem exigir profissionais ou formalidades específicas.
  • Uma avaliação credível deve explicar os pressupostos, os métodos e a passagem do valor da atividade para o valor das participações dos sócios.
  • O valor estimado não representa uma garantia sobre o preço que um comprador aceitará pagar.

O que significa avaliar uma empresa?

A avaliação de uma empresa, frequentemente designada por valuation, procura estimar o seu valor económico numa determinada data e para uma finalidade concreta. Não consiste apenas em consultar o balanço, aplicar uma percentagem à faturação ou multiplicar o lucro por um número escolhido de forma genérica.

Uma avaliação pode ser necessária para preparar uma venda, analisar uma proposta, admitir um investidor, reorganizar participações, apoiar uma aquisição, planear uma sucessão ou responder a uma finalidade contabilística, fiscal, judicial ou societária.

A finalidade é importante porque influencia a base de valor, a informação utilizada, o nível de detalhe e o tipo de relatório. Uma estimativa preliminar para uma decisão interna não tem necessariamente o mesmo âmbito de uma avaliação destinada a um litígio ou a uma operação regulada.

Os International Valuation Standards incluem orientações específicas para empresas e participações sociais, além de princípios sobre âmbito do trabalho, bases de valor, dados, métodos, modelos, documentação e relato. Estes referenciais podem contribuir para avaliações mais transparentes e consistentes. ([ivsc.org](https://ivsc.org/standards/?utm_source=openai))

Que profissionais podem avaliar uma empresa?

A resposta depende sobretudo do motivo pelo qual a avaliação é realizada. Vários profissionais podem intervir, isoladamente ou numa equipa multidisciplinar, mas cada perfil acrescenta competências diferentes.

Consultores de Corporate Finance e M&A

Os consultores de Corporate Finance trabalham sobre decisões financeiras estratégicas, incluindo avaliação, estrutura de capital, compra e venda de empresas e captação de investimento. M&A significa mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições.

Este perfil pode ser especialmente relevante quando a avaliação antecede uma possível venda. Além de analisar contas e projeções, um especialista em M&A tende a considerar a forma como potenciais compradores poderão interpretar o risco, as sinergias, a concentração de clientes, a dependência dos sócios e a capacidade de crescimento.

Na prática, uma avaliação orientada para uma transação deve ajudar o empresário a compreender não apenas um intervalo de valor, mas também os fatores que podem sustentar ou prejudicar esse valor durante a negociação e a due diligence. A due diligence é a análise detalhada que o comprador realiza antes de concluir a operação.

Especialistas em avaliação de empresas

Um profissional especializado em valuation pode utilizar diferentes abordagens e cruzar os resultados obtidos. Entre as mais comuns encontram-se o método dos múltiplos, o DCF e, em determinadas empresas, a abordagem patrimonial.

  • Múltiplos: relacionam indicadores da empresa, como o EBITDA, com referências de mercado ou transações comparáveis.
  • DCF: o método dos fluxos de caixa descontados estima o valor atual dos fluxos de caixa futuros, considerando o risco e o valor temporal do dinheiro.
  • Abordagem patrimonial: analisa o valor dos ativos e passivos, podendo ser mais relevante em empresas intensivas em património ou em cenários específicos.

Um especialista não deve limitar-se a executar fórmulas. Deve avaliar a qualidade dos dados, justificar os pressupostos e perceber se os resultados históricos são representativos da capacidade futura da empresa.

Contabilistas certificados

O contabilista certificado pode ter um papel importante porque conhece a contabilidade, as políticas adotadas, a composição das rubricas e a evolução financeira da empresa. Pode também ajudar a identificar acontecimentos não recorrentes, despesas pessoais, rendimentos extraordinários ou classificações contabilísticas que mereçam análise.

Contudo, conhecer as contas não equivale automaticamente a realizar uma avaliação económica orientada para uma operação de M&A. O valuation pode exigir análise do setor, projeções, custo de capital, múltiplos, riscos comerciais e perspetiva de potenciais compradores.

Quando possui formação e experiência específicas em avaliação, um contabilista pode participar nesse trabalho. Noutros casos, pode ser mais adequado colaborar com um especialista em Corporate Finance, fornecendo e esclarecendo a informação contabilística de base.

Revisores oficiais de contas

O revisor oficial de contas, ou ROC, possui competências particularmente relevantes em auditoria, revisão financeira, independência e validação de informação. Pode realizar ou participar em avaliações, consoante a finalidade, a experiência e a inexistência de incompatibilidades.

Existem situações em que a legislação exige expressamente a intervenção de um ROC. Por exemplo, o artigo 28.º do Código das Sociedades Comerciais determina que as entradas em bens diferentes de dinheiro sejam objeto de relatório elaborado por um ROC sem interesses na sociedade. Esse relatório deve, entre outros elementos, descrever e avaliar os bens e indicar os critérios utilizados. ([diariodarepublica.pt](https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-lei/1986-34443975-?utm_source=openai))

Este exemplo não significa que todas as avaliações de empresas tenham de ser realizadas por um ROC. Significa que a finalidade concreta deve ser verificada antes da escolha do profissional.

Peritos e equipas multidisciplinares

Em processos judiciais, arbitragens, partilhas ou conflitos entre sócios, pode ser necessária a intervenção de um perito com qualificações adequadas ao objeto da avaliação. A nomeação, os requisitos e a força probatória do trabalho dependem do contexto processual, pelo que deve existir validação jurídica.

Também é frequente uma avaliação exigir contributos complementares. Um negócio pode envolver imóveis, máquinas, propriedade intelectual, contingências fiscais, contratos complexos ou questões laborais. Nestes casos, o avaliador da empresa pode necessitar de trabalhar com especialistas nessas matérias.

Quem deve avaliar uma PME antes da venda?

Quando o objetivo é preparar a venda de uma PME, pode representar uma vantagem escolher uma estrutura que combine avaliação financeira e experiência prática em transações. O valor teoricamente calculado terá de ser explicado, defendido e confrontado com a análise dos compradores.

Uma avaliação orientada para venda deve distinguir dois conceitos fundamentais:

  • Enterprise Value: valor da atividade operacional da empresa, antes de considerar a forma como está financiada.
  • Equity Value: valor atribuível aos sócios depois dos ajustamentos acordados, incluindo normalmente dívida líquida e, quando aplicável, outros elementos semelhantes a dívida ou ativos não operacionais.

Confundir estes conceitos pode criar uma diferença significativa entre a expectativa inicial do vendedor e o montante que efetivamente lhe poderá ser atribuído numa transação.

Também é importante normalizar o EBITDA. O EBITDA corresponde, de forma simplificada, ao resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. O EBITDA normalizado procura ajustar elementos extraordinários, não recorrentes ou que não reflitam as condições futuras do negócio.

Esses ajustamentos devem ser documentados e defensáveis. Um comprador pode rejeitar a exclusão de um custo se entender que este continuará a existir depois da aquisição.

O que analisa um potencial comprador?

Um comprador não avalia apenas as demonstrações financeiras. Procura perceber a capacidade futura de gerar resultados e os riscos necessários para os obter. Dependendo da empresa e do setor, poderá analisar:

  • qualidade e recorrência da faturação;
  • margens e evolução do EBITDA;
  • concentração em clientes, fornecedores ou produtos;
  • dependência do sócio-gerente ou de colaboradores-chave;
  • necessidades de investimento em equipamentos e tecnologia;
  • fundo de maneio necessário ao funcionamento normal;
  • dívida financeira e responsabilidades semelhantes a dívida;
  • contratos, licenças, propriedade intelectual e contingências;
  • capacidade de crescimento e posição concorrencial.

Por esta razão, duas empresas com a mesma faturação e o mesmo EBITDA podem ter valores diferentes. Uma empresa com receitas recorrentes, gestão autónoma e reduzida concentração comercial pode apresentar um perfil de risco distinto de outra dependente de um único cliente e da presença diária do fundador.

Como reconhecer uma avaliação tecnicamente consistente?

Uma avaliação útil deve permitir que o empresário compreenda como se chegou às conclusões. O relatório ou apresentação deve ser proporcional à finalidade, mas convém que identifique claramente:

  • a data e o objetivo da avaliação;
  • a empresa, as participações ou os ativos avaliados;
  • a base de valor e os pressupostos relevantes;
  • a informação financeira e operacional analisada;
  • os ajustamentos efetuados aos resultados;
  • os métodos utilizados e a justificação da sua escolha;
  • a passagem do Enterprise Value para o Equity Value;
  • as limitações, sensibilidades e incertezas da análise.

Deve existir prudência perante avaliações baseadas num único indicador, múltiplos sem origem ou projeções excessivamente otimistas. Outro sinal de fragilidade é a apresentação de um valor exato sem explicar a sensibilidade a alterações nas vendas, margens, investimento, fundo de maneio ou risco.

Que informação deve ser preparada antes da avaliação?

A qualidade do valuation depende da qualidade da informação disponível. Antes de iniciar o trabalho, pode ser útil organizar contas históricas, balancetes, detalhe da dívida, mapas de clientes e fornecedores, contratos relevantes, estrutura de pessoal, investimentos realizados e previsões de negócio.

Considere-se uma PME industrial cujo resultado diminuiu devido à compra excecional de serviços relacionados com a mudança de instalações. O avaliador deverá perceber se o custo é verdadeiramente não recorrente. Em simultâneo, terá de verificar se as novas instalações implicam rendas, investimentos ou necessidades permanentes que afetarão os fluxos de caixa futuros.

Este tipo de análise evita que a normalização seja apenas uma soma de custos que o vendedor gostaria de eliminar. Obriga a relacionar cada ajustamento com a realidade operacional que um comprador encontrará.

Como escolher quem vai avaliar a empresa?

Antes de contratar, o empresário pode colocar algumas perguntas práticas:

  • Qual é a experiência do profissional na avaliação de PME?
  • A avaliação será utilizada para gestão, negociação, venda, litígio ou outra finalidade?
  • Que métodos poderão ser utilizados e porquê?
  • Como serão tratados o EBITDA normalizado, a dívida líquida e o fundo de maneio?
  • O profissional conhece a perspetiva de compradores e investidores?
  • Existem conflitos de interesses ou requisitos de independência?
  • Que informação, pressupostos e limitações serão apresentados?

Se a empresa estiver a ponderar uma venda, a integração entre avaliação, preparação da informação e conhecimento do processo de M&A pode permitir uma abordagem mais coerente. Evita-se, por exemplo, definir uma expectativa de valor sem antecipar os ajustamentos e riscos que surgirão na negociação.

Conclusão

Uma empresa em Portugal pode ser avaliada por diferentes profissionais, mas a escolha deve ser feita em função do objetivo. Para decisões de gestão ou preparação de uma venda, especialistas em avaliação, Corporate Finance e M&A podem acrescentar uma perspetiva económica e transacional. Contabilistas, ROC e outros peritos podem igualmente desempenhar funções relevantes, sobretudo quando existem necessidades contabilísticas, legais, judiciais ou técnicas específicas.

Mais importante do que obter um número isolado é compreender os pressupostos que o sustentam, os riscos que um comprador poderá identificar e a diferença entre valor da atividade, valor para os sócios e preço negociado. Quando existam implicações legais, fiscais ou contabilísticas particulares, a abordagem deve ser validada pelos profissionais competentes.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

É obrigatório contratar um revisor oficial de contas para avaliar uma empresa?

Não em todas as situações. Uma avaliação económica para gestão, negociação ou preparação de uma venda pode ser realizada por especialistas em valuation, Corporate Finance ou M&A. Determinados atos legais, societários, judiciais ou contabilísticos podem, contudo, exigir um ROC, um perito ou outras formalidades específicas.

O contabilista da empresa pode calcular o seu valor?

O contabilista pode fornecer informação essencial, explicar as contas e ajudar a identificar ajustamentos. Se possuir experiência específica em avaliação, poderá também participar no valuation. Ainda assim, uma avaliação orientada para venda exige frequentemente competências adicionais em projeções, risco, múltiplos, geração de caixa e análise da perspetiva dos compradores.

Uma avaliação indica o preço pelo qual a empresa será vendida?

Não. A avaliação produz uma estimativa ou intervalo de valor com base em pressupostos e informação disponível. O preço final depende da negociação, do interesse dos compradores, da estrutura da operação, da due diligence, da dívida líquida, do fundo de maneio e das condições acordadas.

É melhor avaliar a empresa antes de procurar compradores?

Pode ser especialmente útil. A avaliação ajuda a formar expectativas, identificar riscos, preparar justificações para os ajustamentos ao EBITDA e compreender a diferença entre Enterprise Value e Equity Value. Não garante uma venda ou determinado preço, mas pode contribuir para uma negociação mais informada e estruturada.

Precisa de determinar o valor da sua empresa?

Se está a ponderar uma venda, a entrada de um investidor ou outra decisão estratégica, uma avaliação estruturada pode ajudar a formar expectativas mais informadas e a identificar antecipadamente os fatores que poderão ser questionados por um potencial comprador.

A Venda de Empresas.pt, integrada na HC Consulting Group, é uma consultora especializada em avaliação, preparação, venda e operações de M&A de PME. A abordagem pode incluir, em função do âmbito contratado, análise financeira, normalização do EBITDA, aplicação de métodos de avaliação, estudo da dívida líquida e identificação dos principais fatores de risco e criação de valor.

Esta combinação entre Corporate Finance e experiência em processos de compra e venda permite relacionar o valuation com a realidade prática de uma possível transação. A Venda de Empresas.pt conta com mais de 14 anos de experiência e mais de 250 transações realizadas, elementos particularmente relevantes quando a avaliação constitui o primeiro passo de uma decisão empresarial.

Conheça o serviço de Avaliação de Empresas. Se pretende também preparar e estruturar uma possível operação, consulte o acompanhamento de Avaliação e Venda de Empresas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *