“Quanto vale a minha empresa?” é uma das primeiras perguntas que surge quando um empresário começa a ponderar uma venda, a entrada de um investidor ou simplesmente pretende conhecer o valor económico do negócio que construiu.
Não existe, porém, uma fórmula única que permita responder corretamente a esta questão.
O valor de uma empresa não resulta apenas da faturação, do lucro ou da aplicação de um determinado múltiplo ao EBITDA. Uma avaliação fundamentada exige analisar conjuntamente a capacidade de geração de resultados e fluxos de caixa, estrutura financeira, ativos, risco, carteira de clientes, organização, perspetivas futuras e condições específicas do negócio.
É precisamente por isso que duas empresas com faturação ou resultados semelhantes podem apresentar valores significativamente diferentes.
Conheça 7 fatores que podem influenciar o valor de venda de uma empresa.
1. Qualidade e sustentabilidade dos resultados
Mais importante do que analisar isoladamente um indicador é perceber como são gerados os resultados da empresa e se são sustentáveis.
Na análise financeira podem ser considerados, entre outros:
- volume de negócios;
- margens operacionais;
- EBITDA;
- EBIT;
- resultados líquidos;
- geração de caixa;
- investimentos necessários;
- necessidades de fundo de maneio;
- existência de resultados extraordinários ou não recorrentes.
O EBITDA é, portanto, um indicador relevante, mas não constitui por si só uma avaliação da empresa.
Por exemplo, duas empresas podem apresentar exatamente o mesmo EBITDA e, ainda assim, ter valores muito diferentes se uma delas exigir investimentos elevados em equipamentos, tiver maior endividamento, maior concentração de clientes ou perspetivas de crescimento inferiores.
O objetivo de uma avaliação é perceber a qualidade económica do negócio no seu conjunto, e não apenas aplicar um múltiplo a um número contabilístico.
2. Crescimento e evolução histórica do negócio
Um potencial comprador procura perceber não apenas onde a empresa está hoje, mas também qual foi a sua trajetória.
São normalmente analisados vários exercícios para compreender:
- evolução das vendas;
- crescimento ou redução das margens;
- estabilidade dos resultados;
- alterações na estrutura de custos;
- capacidade de ganhar clientes e mercados;
- recorrência da faturação.
Uma empresa que apresenta crescimento consistente e controlado tende a transmitir maior previsibilidade.
Mas crescimento, por si só, também não significa necessariamente criação de valor.
Uma empresa pode aumentar fortemente a faturação e, simultaneamente, deteriorar margens, aumentar necessidades de financiamento ou assumir riscos excessivos.
O crescimento deve, por isso, ser analisado conjuntamente com a rentabilidade e capacidade de geração de caixa.
3. Estrutura financeira, dívida e tesouraria
O nível de endividamento pode ter um impacto muito relevante no valor efetivamente atribuível aos sócios.
É importante distinguir o valor da atividade operacional da empresa do valor que poderá resultar para os seus acionistas ou sócios após determinados ajustamentos financeiros.
De forma simplificada, em muitas operações existe uma lógica próxima de:
Valor da atividade operacional
– dívida financeira líquida
± outros ajustamentos
= valor potencialmente atribuível aos sócios
Uma empresa com uma operação muito rentável pode ter um valor líquido inferior se possuir uma dívida financeira elevada.
Da mesma forma, determinadas disponibilidades de tesouraria poderão aumentar o valor potencialmente atribuível aos sócios, dependendo da estrutura negociada na transação.
4. Carteira de clientes e previsibilidade das receitas
Uma carteira de clientes sólida pode representar um dos principais ativos de uma empresa.
Um comprador procura normalmente perceber:
- dimensão e qualidade da carteira;
- antiguidade das relações comerciais;
- recorrência das compras;
- existência de contratos;
- concentração da faturação;
- taxa de retenção;
- previsibilidade das receitas.
Uma empresa em que nenhum cliente assume um peso excessivo tende a apresentar um risco comercial inferior a outra cuja faturação esteja altamente dependente de um ou dois clientes.
Por exemplo, uma empresa cujo principal cliente represente 10% da faturação apresenta normalmente um perfil de risco diferente de outra em que um único cliente represente 60%.
Essa diferença pode ter impacto direto na valorização.
5. Ativos, equipamentos, inventários e património
Dependendo da atividade, os ativos da empresa podem representar uma parcela importante do seu valor.
Podem incluir:
- imóveis;
- máquinas e equipamentos;
- inventários;
- viaturas;
- marcas;
- patentes;
- tecnologia;
- licenças;
- propriedade intelectual;
- outros ativos estratégicos.
Este aspeto é particularmente relevante em negócios industriais, imobiliários ou intensivos em capital.
Também aqui é necessário evitar conclusões simplistas: o valor contabilístico de um ativo não corresponde necessariamente ao seu valor económico ou de mercado.
Uma máquina totalmente amortizada contabilisticamente pode continuar a ter elevado valor económico, enquanto determinados ativos registados no balanço podem valer menos do que o respetivo valor contabilístico.
6. Dependência dos sócios e qualidade da organização
Uma empresa pode apresentar bons resultados e, ainda assim, ser percecionada como um investimento de maior risco se toda a sua atividade depender diretamente do atual proprietário.
O comprador irá querer perceber:
A empresa consegue continuar a funcionar normalmente depois da saída do empresário?
São relevantes aspetos como:
- existência de equipa de gestão;
- autonomia comercial;
- processos documentados;
- relações com clientes;
- conhecimento técnico;
- dependência dos sócios;
- capacidade de retenção dos principais colaboradores.
Quanto mais autónoma e estruturada estiver a organização, menor tende a ser o risco associado à mudança de propriedade.
7. Perspetivas futuras e potencial estratégico
O valor de uma empresa não depende apenas do passado.
O comprador está também a adquirir a capacidade do negócio para gerar resultados no futuro.
Entre os fatores que podem aumentar o potencial de valorização encontram-se:
- entrada em novos mercados;
- internacionalização;
- aumento da capacidade produtiva;
- novos produtos ou serviços;
- contratos em desenvolvimento;
- vantagens competitivas;
- barreiras à entrada;
- tecnologia própria;
- oportunidades de consolidação;
- sinergias com potenciais compradores.
Este último elemento ajuda também a compreender porque uma empresa pode ter valores diferentes para compradores diferentes.
Um investidor financeiro pode analisar essencialmente o retorno esperado sobre o investimento, enquanto um comprador estratégico poderá estar disposto a reconhecer valor adicional devido a sinergias comerciais, produtivas ou geográficas.
Então, como se calcula efetivamente o valor de uma empresa?
Não existe um método universal adequado a todas as empresas.
Dependendo das características do negócio, podem ser utilizadas e cruzadas diferentes metodologias.
Fluxos de Caixa Descontados — DCF
O método dos Fluxos de Caixa Descontados procura estimar o valor atual dos fluxos de caixa que a empresa poderá gerar no futuro, considerando simultaneamente o risco e o valor temporal do dinheiro.
Exige, entre outros elementos, analisar:
- projeções financeiras;
- margens futuras;
- investimentos;
- fundo de maneio;
- crescimento;
- taxa de desconto;
- valor terminal.
Múltiplos de mercado
Os múltiplos podem ser utilizados como referência através da comparação com empresas ou transações consideradas comparáveis.
Podem envolver indicadores como EBITDA, EBIT, receitas ou outros parâmetros adequados ao setor.
Mas um múltiplo não deve ser utilizado isoladamente como uma avaliação automática.
É necessário determinar se as empresas utilizadas como comparação são efetivamente comparáveis em dimensão, crescimento, margens, risco, localização, estrutura financeira e características operacionais.
Abordagem patrimonial
Em determinados negócios, nomeadamente empresas com património imobiliário, equipamentos relevantes ou outros ativos significativos, a componente patrimonial pode assumir maior peso.
Cruzamento das metodologias
Uma avaliação profissional pode recorrer a várias abordagens para perceber se os resultados obtidos são coerentes entre si e quais são mais adequados às características concretas da empresa.
Valor de avaliação e preço de venda não são a mesma coisa
Existe ainda uma distinção fundamental entre valor e preço.
A avaliação procura determinar um intervalo de valor economicamente fundamentado.
O preço final resulta de uma negociação real entre comprador e vendedor.
Pode ser influenciado por fatores como:
- número de interessados;
- condições de pagamento;
- concorrência entre compradores;
- permanência do vendedor;
- earn-outs;
- garantias;
- financiamento da aquisição;
- estrutura da transação;
- urgência do vendedor;
- interesse estratégico do comprador.
Por isso, uma empresa pode ter um determinado valor económico estimado e acabar por ser transacionada acima ou abaixo desse valor.
Porque é importante conhecer o valor antes de vender?
Conhecer previamente o valor da empresa permite ao empresário negociar com uma referência objetiva e perceber quais os elementos que estão a criar ou a destruir valor.
Uma avaliação pode ajudar a:
- estabelecer expectativas realistas;
- preparar uma futura venda;
- identificar pontos de melhoria;
- fundamentar negociações;
- analisar propostas recebidas;
- compreender a estrutura financeira da operação.
Na Venda De Empresas.pt | HC Consulting Group, realizamos Avaliações de Empresas através da análise financeira, patrimonial e estratégica do negócio, recorrendo a metodologias reconhecidas e ajustadas às características específicas de cada empresa.
Se pretende conhecer o valor da sua empresa, saber quais os fatores que mais influenciam a sua valorização ou preparar uma futura operação de venda, saiba mais sobre o nosso serviço de Avaliação de Empresas.
Porque determinar quanto vale uma empresa não é simplesmente escolher um múltiplo.
É perceber quanto vale o negócio, porque vale esse montante e quais os fatores que podem alterar esse valor numa transação real.
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