Acelerar a Valorização Antes da Venda: Prioridades de 90 Dias a 18 Meses até 2026
Num contexto em que o custo de capital permanece estruturalmente acima da média pré-2020 e os compradores se tornaram mais seletivos, a valorização de empresas até 2026 será cada vez mais determinada por previsibilidade, qualidade dos resultados e redução do risco operacional.
A evidência recente demonstra que, entre 2023 e 2024, empresas com receita recorrente, contratos bem estruturados e churn anual inferior a 8% transacionaram a múltiplos de EBITDA 20–30% superiores face a pares comparáveis. Este prémio resulta menos do crescimento isolado e mais da capacidade de provar resiliência, governança e controlo.
Preparar uma empresa para venda deixou, assim, de ser um exercício de última hora. Passou a ser um processo estruturado de 12 a 18 meses, com impactos mensuráveis logo nos primeiros 90 dias, permitindo reduzir descontos de risco, acelerar a due diligence e reforçar o poder negocial do vendedor.
O que realmente valoriza uma empresa em 2026
Compradores estratégicos e fundos de private equity convergem hoje em três critérios fundamentais na avaliação de empresas:
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Previsibilidade de cash flows
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Transparência financeira e operacional
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Risco operacional controlado e transferível
O foco do vendedor deve ser transformar crescimento em confiança, minimizando ajustamentos ao preço, mecanismos de retenção e estruturas de earn-out penalizadoras.
Primeiros 90 dias: estabilizar e remover travões de valorização
Os primeiros três meses são decisivos para desbloquear valor rápido e eliminar fatores que penalizam imediatamente o múltiplo.
Caixa e capital circulante
A otimização do capital circulante é frequentemente a forma mais rápida de criar valor antes da venda. Medidas típicas incluem renegociação de prazos de pagamento com clientes e fornecedores, redução de stock obsoleto ou de baixa rotação e revisão das políticas de crédito e cobranças. Em PMEs industriais e de serviços, é comum libertar entre 0,5x e 1,0x EBITDA em caixa, com impacto direto no valor do capital próprio.
Margem e pricing
A revisão do mix de produto e cliente, a atualização de contratos com cláusulas de indexação à inflação e a implementação de políticas sistemáticas de revisão de preços são essenciais. Compradores penalizam margens pouco explicadas ou dependentes de condições excecionais. Clareza e disciplina no pricing aumentam significativamente a credibilidade do plano financeiro.
Risco legal e fiscal
A identificação e regularização de contingências fiscais, passivos laborais e situações contratuais ambíguas deve ser prioritária. Riscos não tratados são frequentemente convertidos em reduções diretas de preço, escrows ou retenções significativas no momento da transação.
Dados e reporting
Um fecho mensal fiável até D+5, métricas comerciais claras como CAC, LTV e churn, e a preparação de um data room simplificado para Q&A preliminar são hoje requisitos mínimos. A ausência de dados estruturados é interpretada como risco, independentemente da qualidade intrínseca do negócio.
Vendor due diligence flash
Uma análise preliminar conduzida pelo vendedor permite identificar temas críticos, priorizar correções e controlar a narrativa antes da entrada dos compradores. Este passo reduz substancialmente fricções futuras e ajustamentos de última hora.
6 a 12 meses: provar previsibilidade e diferenciação
Após a estabilização inicial, o foco passa para a demonstração de consistência operacional e vantagem competitiva sustentável.
Comercial e receita recorrente
A implementação de um CRM auditável, a análise de coortes por segmento e a monitorização rigorosa da taxa de renovação e do churn tornam-se fundamentais. Uma métrica frequentemente valorizada é um rácio LTV/CAC superior a 3x, desde que sustentável e comprovável.
Operações e processos
A padronização de processos críticos, a redução da dependência de indivíduos-chave e a revisão de contratos estratégicos com cláusulas de transferência são fatores decisivos para reduzir o risco percebido. Negócios excessivamente dependentes de pessoas sofrem descontos relevantes em processos de M&A.
Finanças e governança
Demonstrações financeiras auditadas, políticas contabilísticas alinhadas com IFRS, sistemas de controlo interno e planos de remuneração variável ligados a EBITDA e geração de caixa aumentam a confiança do comprador e aceleram a tomada de decisão.
ESG e cibersegurança
Mesmo em empresas de média dimensão, políticas ESG básicas, indicadores ambientais simples e práticas mínimas de segurança da informação tornaram-se obrigatórios. A sua ausência pode resultar em descontos de 5–10% durante a due diligence.
Crescimento disciplinado
Compradores privilegiam iniciativas de crescimento com payback inferior a 12 meses, parcerias que aumentem previsibilidade e modelos replicáveis. Crescimento obtido à custa de margens ou com elevado risco de execução é penalizado.
12 a 18 meses: afinar estrutura e preparar o processo de M&A
Nesta fase, a empresa deve ser tratada como um ativo pronto a transacionar.
Portefólio e foco estratégico
O desinvestimento de ativos não core, o encerramento de linhas deficitárias e a eliminação de complexidade operacional aumentam a atratividade e sustentam múltiplos mais elevados.
Estrutura societária e incentivos
A simplificação da estrutura societária, a clarificação de acordos de sócios e a implementação de mecanismos de retenção para a equipa crítica, como phantom shares, são essenciais para assegurar continuidade após a transação.
Estrutura de capital
A otimização da dívida líquida, a renegociação de covenants e a antecipação de ajustamentos de capital circulante no contrato de compra e venda reduzem o risco de renegociação do preço acordado.
Equity story e posicionamento
Uma narrativa clara, suportada por dados financeiros, cenários até 2026 e identificação de sinergias específicas para compradores estratégicos e private equity é determinante. A preparação de uma lista curta e priorizada de compradores aumenta eficiência e tensão competitiva.
Preparação do processo de venda
Um cronograma detalhado, um banco estruturado de perguntas e respostas e a estabilidade dos KPIs operacionais por pelo menos três trimestres consecutivos são fatores críticos para um processo rápido e bem-sucedido.
Conclusão
Em mercados exigentes, os compradores pagam mais por certeza, velocidade e transparência. Num horizonte de 12 a 18 meses, é possível transformar significativamente o perfil de risco de uma empresa, reduzir descontos de negociação e elevar de forma material o múltiplo de venda.
Se pretende vender até 2026, o momento de agir é agora.
Fale connosco para uma avaliação estratégica da sua empresa e para desenhar um plano de valorização ajustado ao seu sector e aos seus objetivos.
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