Due diligence em 2026: novas métricas e riscos na análise financeira
Num mercado de M&A mais seletivo, com custo de capital elevado e maior escrutínio regulatório na UE, a due diligence financeira evoluiu. Em 2023–2024, o custo médio da dívida na zona euro subiu cerca de 200–300 pb face a 2021, comprimindo múltiplos e exigindo análises mais profundas a fluxos de caixa e resiliência operacional. Em 2026, a vantagem competitiva estará em medir o que realmente sustenta valor e mitigar riscos antes de negociar.
Novas métricas que já influenciam preço e condições
– Qualidade dos resultados (QoE): reconciliação entre EBITDA ajustado e cash EBITDA, normalização de fundo de maneio e sazonalidade de tesouraria.
– Receita recorrente: mix ARR/MRR, churn líquido, LTV/CAC e taxa de expansão; nos negócios transaccionais, retenção de clientes e poder de fixação de preços.
– Estrutura financeira: dívida líquida incluindo efeitos IFRS 16, perfil de amortização, covenants e sensibilidade a +300 pb nas taxas.
– Ciber-risco e continuidade: maturidade NIS2, testes de recuperação e impacto estimado (perda de faturação por dia de paragem).
– ESG/CSRD: intensidade carbónica, capex de descarbonização, riscos de greenwashing e custos de compliance que afetam o custo de capital.
– Capital humano: dependência de fundadores, rotação de talento crítico e produtividade por FTE.
Riscos emergentes a escrutinar
– Regulatório e compliance: RGPD (multas potenciais, base legal de dados), KYC/AML e sanções UE em cadeias de fornecimento.
– Tecnológico: dependência de cloud/IA (SLAs, portabilidade, direitos de IP e treino de modelos), dívida técnica e obsolescência.
– Contratual: concentração de clientes/fornecedores, cláusulas de change of control, indexações e ajustamentos automáticos de preço.
– Fiscal e laboral: benefícios e incentivos com condições resolutivas, passivos diferidos e contingências.
Como conduzir uma due diligence orientada a valor
– Preparar data room com trilhos de auditoria, contratos-chave e análise de sensibilidade de cenários.
– Solicitar QoE independente e testes de stress a juros, preços e câmbio; validar o “cash conversion cycle”.
– Mapear riscos CSRD/NIS2 e plano de remediação de 100 dias para fechar a transação com menos retenções e ajustes de preço.
Conclusão
A due diligence em 2026 exige integrar novas métricas e riscos na análise financeira para proteger valor e acelerar decisões. Se procura vender a empresa, investir ou consolidar, antecipe estas exigências e negocie com evidência. Fale connosco para uma avaliação estratégica da sua empresa.
en
