Trespasse Informal vs. Formal: Explorando os Riscos Legais para o Vendedor em Portugal

Quando se trata de transmitir a propriedade de um negócio em Portugal, é essencial compreender as duas principais modalidades de trespasse: o formal e o informal.
A escolha entre uma e outra tem implicações jurídicas, fiscais e financeiras significativas, especialmente para o vendedor.

Este artigo analisa detalhadamente as características e riscos associados a cada método, fornecendo informações práticas e fundamentadas para quem considera vender ou adquirir um negócio no contexto português.


Definição e Conceitos Básicos de Trespasse

O trespasse corresponde à venda de um estabelecimento comercial enquanto unidade económica, incluindo todos os seus elementos tangíveis e intangíveis — como equipamentos, clientela, marca, licenças e contratos de trabalho.

Dependendo da forma como é celebrado, o trespasse pode assumir duas modalidades distintas:

  • Trespasse Formal: realizado por escritura pública ou documento particular autenticado em notário, cumprindo todas as formalidades legais exigidas.

  • Trespasse Informal: efetuado sem observância das formalidades legais, podendo basear-se apenas em acordos verbais ou troca de correspondência, o que compromete a sua validade e segurança jurídica.

Embora o trespasse informal possa parecer mais simples e rápido, acarreta riscos legais substanciais que muitas vezes só se tornam evidentes após a conclusão da transação.


Riscos Legais do Trespasse Informal

O trespasse informal é frequentemente escolhido por empresários que desejam evitar custos notariais ou burocracia. No entanto, esta opção implica vulnerabilidades jurídicas e fiscais sérias.

Principais riscos:

  • Falta de proteção legal: sem contrato formal, o vendedor não dispõe de meios eficazes para garantir o cumprimento das condições acordadas, nomeadamente quanto ao pagamento integral do preço.

  • Questões tributárias: a ausência de documentação adequada pode gerar problemas com a Autoridade Tributária, como impossibilidade de deduzir custos e exigência de impostos adicionais.

  • Responsabilidade continuada: se o trespasse não for formalmente reconhecido, o vendedor pode permanecer legalmente responsável perante credores, fornecedores e trabalhadores, mesmo após a venda.

Estas falhas podem resultar em litígios prolongados e dispendiosos, prejudicando tanto a reputação como a situação financeira das partes envolvidas.


Vantagens e Segurança do Trespasse Formal

O trespasse formal, por seu lado, oferece proteção jurídica robusta e transparência em todas as fases da transação.
Ao cumprir as exigências legais, ambas as partes beneficiam de maior segurança e previsibilidade.

Principais vantagens:

  • Segurança jurídica: a formalização do contrato assegura validez legal e força executiva, protegendo os direitos e deveres do comprador e do vendedor.

  • Definição clara de responsabilidades: o contrato especifica quais dívidas, créditos e obrigações são transferidos, evitando ambiguidades sobre responsabilidades futuras.

  • Proteção contra credores: o registo adequado no Conservatório do Registo Comercial garante que a transferência é oponível a terceiros, protegendo o vendedor de reclamações posteriores.

Além disso, a formalização reforça a confiança entre as partes, permitindo uma transição ordenada e minimizando potenciais litígios.


Estudos de Caso e Implicações Práticas

  • Caso 1 – Trespasse Informal:
    Um comerciante vendeu o seu negócio por meio de um simples acordo escrito, sem reconhecimento notarial.
    Meses depois, foi notificado por credores do estabelecimento, pois não existia prova legal da transferência das responsabilidades.
    O resultado foi um processo judicial prolongado e custos adicionais significativos.

  • Caso 2 – Trespasse Formal:
    Em contraste, uma empresa que procedeu ao trespasse com escritura pública e registo comercial transferiu de forma clara ativos, passivos e obrigações contratuais, evitando qualquer litígio subsequente.
    A operação foi concluída com total segurança e transparência, beneficiando ambas as partes.

Estes exemplos ilustram como a formalização adequada do trespasse é determinante para prevenir riscos e assegurar a estabilidade jurídica e económica da transação.


Conclusão

A decisão de vender um negócio através de trespasse exige análise cuidadosa e cumprimento rigoroso das normas legais.
Embora o trespasse informal possa parecer tentador pela sua simplicidade aparente, os riscos jurídicos e fiscais associados superam largamente quaisquer benefícios imediatos.

Por outro lado, o trespasse formal — com contrato autenticado e registo devidamente efetuado — garante:

  • segurança jurídica,

  • claridade nas obrigações,

  • e proteção contra reclamações futuras.

Em suma, optar por um procedimento de trespasse formal é a escolha mais prudente e profissional, assegurando tranquilidade, validade legal e proteção patrimonial a longo prazo.

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