Introdução: o que é o trespasse de negócio e por que é uma solução ágil
O trespasse de negócio é a transmissão do estabelecimento comercial — incluindo os seus ativos, contratos, licenças e clientela — sem que ocorra a transferência da sociedade (pessoa jurídica).
Na prática, significa vender ou comprar um negócio em funcionamento (going concern), sem os riscos de assumir passivos societários.
Para empresários, investidores e consultores, o trespasse representa uma via rápida, segura e fiscalmente eficiente para reestruturar, expandir ou sair de uma operação.
Quando bem conduzido, o processo permite:
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Maximizar o preço de venda.
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Reduzir contingências legais e fiscais.
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Acelerar prazos de negociação.
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Evitar litígios e rupturas operacionais.
1. Preparação Estratégica e Avaliação do Negócio
Antes de anunciar o trespasse, preparar a empresa é essencial.
Uma operação com dados claros, documentação organizada e narrativa coerente tem maior atratividade junto de compradores e investidores.
1.1 Organização financeira e documental
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Consolide as demonstrações financeiras dos últimos 3 anos, com EBITDA ajustado (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization).
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Exclua custos extraordinários e normalize despesas não recorrentes.
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Prepare um relatório de gestão com métricas de rentabilidade, margens, churn e crescimento.
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Revise:
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Licenças e autorizações (Câmara Municipal, ASAE, ANPC, segurança alimentar e laboral).
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Contratos-chave: arrendamento, fornecedores, distribuição, franchising, software e propriedade intelectual.
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Situação laboral e fiscal (mapa de férias, contratos de trabalho, dívidas à AT ou SS).
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Defina o perímetro do trespasse:
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Equipamentos e instalações.
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Stock e matérias-primas.
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Marcas, nomes comerciais e bases de dados.
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Contratos de arrendamento, clientes e fornecedores.
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1.2 Avaliação de valor e preço indicativo
A avaliação do trespasse combina múltiplos de EBITDA com modelos de fluxo de caixa descontado (DCF).
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PME rentáveis em Portugal (2021–2024): múltiplos médios entre 4x e 7x EBITDA, consoante o setor, crescimento e concentração de clientes.
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Negócios de restauração e retalho local: tendem para o limite inferior (3x–4x).
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Negócios tecnológicos ou SaaS: podem atingir 8x–10x com receitas recorrentes e margens elevadas.
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2. Due Diligence e Estrutura Contratual
A due diligence é o momento em que comprador e vendedor confirmam as informações partilhadas e ajustam o contrato conforme os riscos identificados.
2.1 Etapas fundamentais
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Acordo de confidencialidade (NDA): protege informações estratégicas.
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Teaser e caderno de venda: resumo executivo e dossier completo de dados financeiros, operacionais e jurídicos.
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Due diligence multidisciplinar:
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Financeira: receitas, margens, passivos ocultos.
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Legal: titularidade de ativos, contratos e licenças.
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Laboral: vínculos, indemnizações, benefícios.
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RGPD: cessão de bases de dados e consentimento de clientes.
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2.2 Contrato de trespasse (estrutura e cláusulas essenciais)
O contrato de trespasse formaliza a transmissão do estabelecimento e deve conter:
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Identificação clara do estabelecimento e descrição dos ativos incluídos.
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Garantias de titularidade e ausência de ónus.
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Cláusulas de não concorrência e não solicitação (2–5 anos).
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Condições de pagamento: preço fixo + earn-out (variável consoante resultados futuros).
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Escrow (retenção de 10–20% do preço) durante 6–12 meses para cobrir contingências.
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Autorização do senhorio para cessão do contrato de arrendamento.
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Transferência de licenças e comunicações às entidades públicas.
➡️ Prazo médio: 3 a 6 meses entre signing (assinatura) e closing (conclusão).
3. Negociação e Gestão da Transição
O sucesso do trespasse depende não só do contrato, mas da qualidade da negociação e integração.
3.1 Estratégia de negociação
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Prepare cenários de preço e termos (à vista, faseado, vendor financing).
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Mantenha vários compradores qualificados para aumentar a competição.
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Foco em critérios de valor, não apenas no preço nominal.
3.2 Gestão da transição
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Planeie um “plano de 100 dias” para transferência operacional.
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Inclua formação do transmitente e presença temporária do antigo dono.
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Assegure comunicação clara a colaboradores, clientes e fornecedores.
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Avalie mecanismos de retenção de clientes-chave e continuidade de contratos.
⚖️ 4. Aspetos Legais e Fiscais do Trespasse em Portugal
O trespasse é regulado pelos artigos 1113.º e seguintes do Código Civil e pode envolver obrigações perante terceiros.
4.1 Comunicação e responsabilidade
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O trespasse deve ser comunicado a credores e trabalhadores.
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O transmitente responde solidariamente por dívidas relacionadas com o estabelecimento até 2 anos após a transmissão (art. 1114.º CC).
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É obrigatória a comunicação à Autoridade Tributária e atualização de licenças e alvarás.
4.2 Tributação
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O trespasse não é sujeito a IVA, exceto se incluir ativos isolados.
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Pode gerar mais-valia tributável em IRC ou IRS, conforme a titularidade.
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Custos do processo (avaliações, assessoria, notário) são dedutíveis.
⚠️ Recomenda-se sempre o acompanhamento jurídico e contabilístico especializado.
5. Boas Práticas para Maximizar Valor e Evitar Riscos
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Planeie com 6–12 meses de antecedência.
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Organize documentação digitalmente (data room virtual).
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Evite dependência do fundador — delegue operações.
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Otimize o fundo de maneio e o ciclo de caixa.
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Atualize compliance e certificações antes de negociar.
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Crie um caderno de venda profissional, com dados e storytelling.
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Contrate um advisor M&A com experiência em PME.
6. Diferenças entre Trespasse, Venda de Quotas e Cessão de Exploração
| Tipo de Transação | O que é transferido | Risco de passivos | Licenças e contratos | Vantagens |
|---|---|---|---|---|
| Trespasse | Estabelecimento (ativos e contratos) | Não transfere passivos da sociedade | Necessita nova titularidade | Simplicidade, rapidez |
| Venda de quotas | Participações sociais | Transfere toda a empresa (ativos e passivos) | Mantém licenças | Adequado para empresas maiores |
| Cessão de exploração | Direito de uso temporário do estabelecimento | Não transfere propriedade | Mantém titularidade original | Menor compromisso, ideal para testes |
Conclusão: trespasse bem estruturado é valor e segurança
O trespasse de negócio é uma ferramenta poderosa de reestruturação empresarial, permitindo que empresários vendam ou adquiram operações viáveis sem o peso de uma transação societária completa.
Com uma preparação cuidada, avaliação objetiva, due diligence rigorosa e contrato robusto, é possível maximizar valor, reduzir riscos e acelerar resultados.
Se pretende vender a sua empresa, avaliar o seu negócio ou comprar um estabelecimento em funcionamento, fale com uma consultora especializada em M&A e trespasses para um diagnóstico estratégico gratuito.
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